Nascido Para Matar (1987) | Crítica

Penúltimo trabalho da gloriosa carreira de Stanley Kubrick, Nascido Para Matar ficou um pouco na sombra de Platoon em 1987, mas com o tempo foi caindo cada vez mais nas graças do público e da crítica. Além de ser um trabalho estético primoroso recheado de sequências minuciosamente elaboradas, o filme ainda explora temas relevantes relacionados a Guerra do Vietnã e a natureza do ser humano.

Nascido Para Matar é divido em duas partes distintas. Os 45 minutos iniciais se passam em Parris Island, onde o Sargento Hartmann dedica toda a sua energia para transformar homens em máquinas de guerra. Ele é um tipo que se orgulha do fato de que Charles Whitman (responsável pela morte de 16 pessoas no Texas em 1966) e Lee Harvey Oswald (assassino de Kennedy) aprenderam a atirar com os fuzileiros navais. Com discursos em que os impropérios se proliferam em velocidade alucinante, ele faz com que seus comandados o respeitem e o temam.

O ator R. Lee Ermey foi inicialmente contratado como instrutor dos atores, mas mostrou na prática para Kubrick que ele seria o cara certo para o papel. Não há como visualizar outro ator interpretando o Sargento Hartmann. Quem também se destaca em termos de atuação é Vincent D’Onofrio interpretando Gomer Pyle, um soldado que come o pão que o diabo amassou e acaba pagando um preço muito caro.

A segunda parte se passa no Vietnã propriamente dito. Não existem grandiosas cenas de batalhas, mas os pequenos conflitos retratados comprovam que Kubrick tinha um excelente olho para a ação. Infelizmente, nota-se uma queda de ritmo nessa segunda parte.

Acompanhamos Joker trabalhando em um jornal do exército que está mais preocupado em fazer propaganda do que informar a verdade. Desde o início Joker é um personagem misterioso. Ele é capaz de usar um botão da paz e ter a frase “Nascido Para Matar” pintada no capacete. Ele explica para um oficial que isso se trata da dualidade do homem, algo bem retratado no ato final.

Nascido Para Matar é um deleite em termos técnicos e conta com uma primeira parte genial. A segunda também merece elogios por retratar alguns dos horrores do Vietnã e também o despreparo dos militares americanos naquele conflito. Kubrick usou essa guerra como pano de fundo para fazer um contundente comentário sobre a desumanização. O curioso é que, no caso de Joker, o tiro que ele dá no final é muito mais um ato de misericórdia do que qualquer outra coisa.

Nota: 9/10

Título original: Full Metal Jacket
Ano: 1987
Duração: 
1h 56min
Direção: Stanley Kubrick
Roteiro: Stanley Kubrick, Michael Herr
Fotografia: Douglas Milsome
Elenco: Matthew Modine, R. Lee Ermey, Vincent D’Onofrio, Adam Baldwin, Doran Harewood, Arliss Howard
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